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COORDENADORA EM PORTUGAL
DA NEW WOMEN FOR EUROPE
 
 
OPINIÃO
 
Uma Mulher na Reserva Federal
 

Em 2010, Christine Lagarde, afirmava, em tom bem-humorado, apesar de a situação não ser propícia a graças, que “se o Lehman Brothers fosse, ao invés, Lehman Sisters, a crise económica da actualidade seria bastante diferente”. Três anos depois, Obama nomeia Janet Yellen para suceder a Ben Bernanke nos destinos do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos da America (Fed), a partir do Fevereiro do próximo ano. A imprensa se tem vindo a focar é, e também como não poderia deixar de ser, no facto de ser uma mulher a ocupar um dos mais poderosos lugares na economia mundial.

Diz o Finantial Times que o seu interesse pela economia foi herdado da mãe, a mulher que geria as finanças em casa, e que desde pequena, Yellen lia as páginas de economia e de negócios do jornal, mantendo sempre um interesse particular pelo mercado de acções.Enquanto estudante, coleccionou todos os prémios que existiam para coleccionar e em matérias tão diferentes como a matemática, as ciências ou o Inglês, tendo sido igualmente vencedora do famoso prémio Phi Beta Kappa, em 1963. Como conta também a BusinessWeek, que falou com alguns colegas de Yellen na altura, sempre foi uma “aluna brilhante, uma liberal clássica, anti-guerra e anti-bombas, mas sempre discreta”. Pertencia também ao clube de psicologia, de história e foi editora-chefe do Pilot, o jornal escolar, o qual tinha por hábito entrevistar, todos os anos, o aluno que mais se distinguia. Sem querer quebrar a tradição, Janet Yellen acabou por entrevistar-se a si própria.

Quando foi para Universidade de Brown, em Rhode Island, a sua ideia inicial era seguir Matemática. Mas acabou por mudar para Economia, por considerar a disciplina igualmente rigorosa, mas menos abstracta.

Mas foi em Yale que Yellen viria a escolher a sua carreira futura, depois de ouvir uma palestra de James Tobin (vencedor do Nobel em 1981), que ali leccionava. Tobin, um acólito acérrimo de James Maynard Keynes – o economista inglês que defendia, em tempos de recessão, uma agressiva intervenção estatal na economia – viria a ter uma enorme influência em Yellen. Como afirmou, em 2012, à Reuters “o seu enorme sentido de moralidade e de responsabilidade social impressionaram-se sobremaneira”.

E foi com a orientação de Tobin que Yellen viria a tirar o seu doutoramento em Yale. De acordo com a The New Yorker, as notas que Yellen tirava das suas aulas eram tão precisas que foram muitos os estudantes que, nos anos seguintes, as utilizavam como referência. O próprio Joseph Stiglitz, outro laureado com o Nobel e na altura a leccionar em Yale, confirma também que as visões de Tobin no que respeitava à forte interacção dos mercados financeiros com a economia real marcaram profundamente Yellen. “A Janet sempre compreendeu muito bem o poder e as limitações do mercado”, referiu ao Financial Times.

Depois do doutoramento, Janet Yellen foi convidada para leccionar em Harvard, onde viria a ser professora de Lawrence Summers (o escolhido por Obama para ser o próximo presidente do Fed, mas que acabou por desistir), mas seria por pouco tempo. Na cafetaria da universidade, conheceu George Akerlof – que ali estava como professor convidado e seria com este futuro Nobel que viria a casar. Depois de algum tempo a viver e a ensinar em Londres, na London Business School, o casal mudou-se para São Francisco onde, em parceria, haveria de escrever uma longa série de artigos académicos ao longo de toda a década de 1980. De acordo com o testemunho de alguns colegas, e como escreveu o The New York Times, a complementaridade entre ambos era visível: “o intuitivo Akerlof tinha as ideias doidas e a rigorosa Yellen converti-as em argumentos cuidadosos e lógicos”.

Como refere o Financial Times, Janet Yellen poderia ter tido uma carreira académica de sucesso relativamente anónima (em 1980, foi dar aulas na Haas School of Business da Universidade da Califórnia) se não tivesse sido recebido uma chamada, em 1994 e com 48 anos, da Casa Branca. E foi pela mão de Bill Clinton que a sua história no Fed teria inicio, ao ser nomeada por este para o Conselho de Governadores da Reserva Federal (o qual inclui os 12 bancos regionais do sistema).

Já na altura, Yellen opunha-se à opacidade da gestão da Reserva Federal, afirmando que esta deveria ser mais transparente e inverter a sua tradição de secretismo. Por outro lado, o modelo de “salários de eficiência” que desenvolveu sugeria que se as pessoas se sentiam mal pagas nas suas funções, seriam muito menos produtivas e teriam uma maior tendência para se despedirem, o que implicava, no fundo, que o corte nos salários baixava a produtividade. Como referiu, à Businessweek, Alan Binder, economista de Yale e nomeado ao mesmo tempo que Yellen para o Conselho de Governadores, esta sempre considerou “o desemprego como um flagelo devastador”.

Em Fevereiro deste ano, numa conferência na Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), assegurou: “O desemprego não é, para mim, uma questão de estatísticas. Todos sabemos que o desemprego de longa duração é devastador para os trabalhadores e para as suas famílias, para além de ter um custo terrível na sua saúde física e mental”. Ou seja, desde sempre que o desemprego constituiu a sua principal área não só de investigação, com variadas obras publicadas, mas também de “coração”.

Entre 1997 e 1999, presidiu ao Conselho dos Consultores Económicos do Presidente democrata Bill Clinton, o qual acabou por abandonar alegando razões familiares. No que a este episódio diz respeito, a Businessweek avança que, de acordo com alguns amigos, Yellen não se adaptou à função, por esta ser “demasiado competitiva e elevadamente política”. Em 2001, o marido seria laureado com o Nobel da Economia e, em 2004, Yellen tornava-se presidente do Banco da Reserva Federal de São Francisco, o qual foi transformado num enorme centro de pesquisa macroeconómica. Mesmo a subir vários degraus na escada do poder, Yellen nunca deixou de comer na cantina, junto com os demais trabalhadores, algo que era impensável por parte dos seus colegas masculinos.
       

 
Helena Oliveira - VER
 
 
     
   
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