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COORDENADORA EM PORTUGAL
DA NEW WOMEN FOR EUROPE
 
 
EM FOCO
 
Boletim CON+PAR 05
 

 O Casal: 1 + 1 = 3
Cada casal é mais do que a soma dos indivíduos que o constituem (Eu + Tu), da mesma maneira que que a água é mais do que a soma dos elementos que a compõe (hidrogénio + oxigénio). Em cada casal, 1 + 1 = 3, sendo estes 3 o Eu e o Tu (com as suas caraterísticas pessoais), e o Nós (a forma como o Eu e o Tu comunicam e interagem)
 
Neste Nós, o comportamento de cada um dos elementos do casal determina e é determinado pelo comportamento do outro. Isto acontece não de forma linear – por exemplo, ele afasta-se porque ela insiste OU ela insiste porque ele se afasta – mas de forma circular – ele afasta-se porque ela insiste E ela insiste porque ele se afasta.
 
Quando se verifica este tipo de causalidade circular, diz-se que existe feedback, que pode ser: 1) Positivo - age no mesmo sentido, conduzindo à escalada simétrica (por exemplo, um grita e o outro grita mais alto); 2) Negativo - age no sentido contrário, produzindo uma compensação (por exemplo, um grita e o outro cala-se).
 
Desta forma, face a um problema  conjugal, e apesar de as regras sociais tenderem a atribuir a culpa a um ou a outro, não existe geralmente uma causa e uma consequência, um culpado e uma vítima – e tentar identificá-los será  tão arbitrário como tentar determinar se uma zebra é branca com riscas pretas ou preta com riscas brancas…
 
O Nós do casal, como todas as relações entre duas pessoas, pode ser: 1) Simétrico - cada um dos elementos do casal luta para «ser igual» (ou «não ser menos» que o outro), 2) Complementar – a relação é estabelecida sobre as diferenças recíprocas entre os elementos do casal, sendo que um ocupa a posição superior, de quem define a relação, e outro ocupa a posição inferior, aceitando a definição do outro. Quase sempre, a relação é simétrica em algumas áreas e complementar em outras, e nenhum dos tipos de relação é bom ou mau, a não ser que se rigidifique e conduza a consequências extremas.
 
O Casal: Regras e Meta-Regras
As definições que cada elemento do casal faz da sua relação encontram-se representadas sob a forma de regras. Estas regras podem ser de 3 tipos: 1) Admitidas – regras definidas explicitamente pelos elementos do casal (por exemplo, um dos elementos do casal faz as compras da casa e cozinha, e o outro faz as limpezas); 3) Implícitas – regras que não são definidas explicitamente mas cuja existência os elementos do casal reconheceriam se fossem questionados sobre elas (por exemplo, um dos elementos do casal não deve passar a noite fora de casa sem avisar o outro de que o vai fazer); 4) Secretas – regras que o casal ou um dos seus elementos negaria mas que seriam constatadas por um observador atento (por exemplo, um dos elementos do casal sabota sistematicamente os planos do outro quando estes não o incluem). O grau de flexibilidade destas regras é tanto menor quanto maior for a sua importância – as regras secundárias podem ser transgredidas, mas a violação das regras de base pode ameaçar a continuidade do casal.
 
A transgressão de uma regra implica uma punição. Muitas vezes, a punição é indireta e aparentemente incompreensível – por exemplo, um dos elementos do casal esquece uma data importante da relação e o outro não comenta esse fato, mas faz sentir o seu desagrado amuando. Isto é contraproducente, no sentido em que não permite ao responsável conhecer a sua transgressão e considerá-la no futuro. Outros problemas relacionados com as regras derivam da sua pouca clareza, ou da presença de regras incompatíveis entre si.
 
Contudo, o verdadeiro campo de batalha reside não tanto na formulação das regras, mas na formulação das regras respeitantes ao direito de estabelecer e impor regras – as meta-regras. Por exemplo, um dos elementos do casal pode aceitar a regra de que é sua a tarefa de fazer a cama, mas considerar inaceitável o fato de o outro lho lembrar. Quando aspetos insignificantes se transformam em conflitos violentos, poderá estar em causa a definição de meta-regras, ou, dito de outra forma, uma luta pelo poder na relação.
  
Comunicação e Metacomunicação
A ideia de que «o casal precisa de comunicar» é um lugar-comum amplamente difundido. Mas de que falamos quando falamos de comunicação? O primeiro aspeto a ter em conta é o de que a comunicação se refere não apenas à componente verbal (as palavras que utilizamos) mas também à componente não-verbal (a nossa apresentação, a forma como posicionamos o nosso corpo e utilizamos a nossa voz), ou seja a todos os nossos comportamentos. «Não comunicarmos» é tão impossível como «não nos comportarmos comunicarmos» é tão impossível como «não nos comportarmos. Os elementos de um casal sentados em silêncio e de costas voltadas estão, ainda assim, a comunicar algo um ao outro. Portanto, não se trata de «passar a comunicar», ou de «comunicar mais», mas de comunicar de forma mais eficaz.
A componente verbal transmite o conteúdo da mensagem. Várias distorções comuns comprometem a eficácia desta transmissão, nomeadamente: 1) A utilização de generalizações («És sempre a mesma coisa!»); 2) O pensamento em termos de tudo-ou-nada («Ou gostas de mim, ou não gostas!»); 3) A «leitura da mente» do outro, ou a expetativa de que o outro leia a sua («Eu sei/ tu sabes perfeitamente o que se está a passar»); 4) A arbitragem das emoções do outro («não é possível que gostes disso!»; 5) O envio de mensagens incompletas («Oh, já sabes, as coisas do costume…»). Frequentemente, o emissor da mensagem está convicto de ter sido compreendido, e o recetor, confuso, adapta o seu comportamento àquilo que compreendeu, aumentando a confusão…
 
A componente não-verbal, por outro lado, transmite um comentário à componente verbal, ou seja, comunica sobre a comunicação – é meta-comunicação. Por exemplo, quando acompanho uma afirmação com uma piscadela de olho, estou a transmitir um comentário sobre a mensagem («Estou a brincar»), sobre mim mesmo («Sou uma pessoa que brinca») e sobre o recetor («És uma pessoa com quem brinco»). Novos problemas podem surgir quando o verbal e o não-verbal são contraditórios (por exemplo, dizer «Está tudo ótimo!» de forma zangada, dizer «Não te preocupes comigo…» de forma  abatida, dizer «Que pena isso te ter acontecido» com um sorriso irónico, etc).
 
Para uma comunicação eficaz
É importante estabelecer uma distinção entre os conflitos que servem apenas para manifestar hostilidade e rancor, e em que o principal objetivo de cada elemento do casal é ferir o outro, e os conflitos que servem para clarificar as regras, as meta-regras e a comunicação – estes últimos podem ser benéficos
Para que a comunicação seja eficaz, é importante que: 1) O emissor torne a mensagem tão clara quanto possível; 2) Quando a mensagem é pouco clara, o recetor não se limite a mostrar acordo ou desacordo, e peça ao recetor que esclareça a mensagem; 3) Ambos assegurem que a mensagem que é enviada coincide com a mensagem que é recebida. Um exercício útil é o de cada elemento do casal repetir por palavras suas aquilo que compreendeu da mensagem do outro, confirmando com ele se a compreendeu corretamente, antes de lhe responder.
 
Para Finalizar…
As dificuldades relacionadas com a comunicação são frequentes nos casais, e constituem um problema em si mesmo e um problema que bloqueia a resolução de outros problemas. Nestes momentos, o trabalho terapêutico pode devolver ao casal a capacidade de comunicar de forma eficaz.
 


 
 
 
     
   
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